segunda-feira, 1 de julho de 2013

COMO SE FAZ PARA VIVER?

Como se faz para viver? O tempo de férias que temos a nossa frente é uma ocasião preciosa para responder a esta pergunta. Muitas vezes ouvimos queixas, comentários, opiniões, discussões, argumentações... Mas no tempo livre de que dispomos durante as férias, temos a possibilidade de verificar nos factos que resposta damos ou que resposta queremos dar a esta pergunta. Ou, também, o que é que estamos a fazer no mundo, para que nos serve a fé.

Numa recente conversa com um grupo de jovens, chamou-me a atenção como abordaram o tema das férias. Num primeiro momento, repetiam-se algumas frases feitas: «Férias é para descansar e não fazer nada», «Só quero dormir até ao meio-dia e passar a tarde no sofá». A seguir, porém, começaram a falar das coisas que se podem fazer para aproveitar esse tempo livre a mais: ver filmes, ler um livro, estar com os amigos e com a família, fazer desporto. E acabamos por reconhecer também que há coisas que não devemos deixar de fazer, como continuar a ir a Missa aos Domingos ou rezar.

A questão principal, então, é poder fazer o seguinte teste, em qualquer circunstância em que nos vejamos a pensar e a passar o tempo de Verão: se, como disse o papa Francisco recentemente, Deus «muda o teu coração». Porque é Deus, segundo as palavras do Santo Padre, quem «transforma o coração». Se nós acolhermos a sua graça, Ele transforma o nosso coração. «Uma só coisa é necessária para sermos santos: acolher a graça que o Pai nos dá em Jesus Cristo. Eis a graça que muda o nosso coração» (17 Junho 2013). Esta é a verificação que podemos fazer neste tempo: disponíveis e conscientes da nossa necessidade de uma vida melhor, podemos acolher a graça de Deus tal e como ela se apresenta.

Talvez possamos voltar a questionar a modalidade e hábitos com que fazemos férias. E não continuar a fazer as mesmas coisas, simplesmente porque «sempre fizemos assim». Era bom que nos perguntássemos: Porque é que eu saio de férias? Ou então, porque é que fico e não vou a nenhum lugar especial? O que é que quero fazer? Com quem? Em resumo, o que é que quero viver durante o Verão? Ou, simplesmente, que vida quero viver?

Assim, um passeio, um jantar, uma oração numa capela, uma ida à praia, uma visita a um familiar, ou qualquer outra coisa, se tornam uma ocasião em que podemos verificar que esses momentos são um modelo, um exemplo, de como a vida pode ser vivida duma forma bela, intensa, junto de Cristo e de Deus. Tudo o que fazemos pode ter dentro esta promessa: a experiência da fé que me faz gostar mais e melhor da vida. Se, pelo contrário, durante as férias não vemos a Deus por nenhuma parte, então a nossa fé ficará reduzida a algo sem interesse. 

Procuramos, então, a resposta à pergunta sobre como se faz a viver duma forma de viver a fé que tem a ver com tudo, ou procuramos essa resposta igual a como faz quem não tem fé? Às vezes, durante as férias parece que seja preciso ir a lugares exóticos, diferentes, fazer experiências de risco, ou então gastar imenso dinheiro em hotéis de luxo, centros SPA, compras... Como se a nossa satisfação dependesse destas coisas. De facto, como quem não tem fé.

Este é o desafio: regressar em Setembro com uma resposta cada vez mais certa à pergunta «Como se faz para viver?».   


 P. Luis Miguel Hernández


A FOLHA vai de férias e voltará a sair no Domingo 22 de Setembro.

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